terça-feira, junho 30, 2009

o que são minhas palavras !

"As palavras com as quais expresso minhas recordações são minhas reações de lembranças"

segunda-feira, junho 29, 2009

A chave

amanha quando te der a chave de minha casa
não vou querer olhar para trás
quero apenas caminhar ...
não quero um destino
não quero um nome para carregar
só quero poder me libertar
sentir minha alma livre
sentir me completamente o todo
amanhã...,quando deixar a chave cair
não se preocupe
não voltarei para pegar
não encontrarei a sombra de meu corpo
não encontrarei mais o tempo
só quero caminhar
e me deixar levar
quero uma mente livre
quero apenas amar

Sylvia Palumbo Scrocco

domingo, junho 28, 2009

Tudo...

tudo que poderia querer hoje
é uma simples manhã
onde eu pudesse começar de novo
sentir ,perceber e viver
no silencio do saber
queria poder nascer mais uma vez
queria poder...
queria voar
queria deixar de sonhar
pelo menos até amanhecer
para poder...
me encontrar ...me entender ...me perdoar
me amar ...me aceitar
pelo menos até o amanhecer ...

Sylvia Palumbo Scrocco

terça-feira, junho 23, 2009

1879

Ela sonhava que era amarrada por laços fortes, e quanto mais se debatia, mais se apertavam os laços - pois eram laços de sangue que a atavam a um passado mais ou menos fantástico, a uma história de vida e de família, a um lugar que não saía da cabeça da menina, onde ela dizia: que iria se encontrar. Pois não era estranho que a menina mais livre de todas sonhasse em estar presa num quarto de castelo? É que as amarras estavam dentro dela mesma em forma de espiral, em forma de um sangue vindo de outra parte do mundo, ou até quem sabe, de outra encarnação. A menina amarrada continuava a mais livre pois era a que se deixava ir em busca dos seus sonhos.


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leia a introdução primeiro

http://contosemcantos.blogspot.com/2009/05/da-historia-prefiro-o-onirico-que-e-tao.html


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Tudo aconteceu na primavera... Vincenzo Palumbo contemplava a fazenda em um momento de pura identificação com sua terra natal. Seus olhos expressivos envolviam todas as plantações em um mesmo instante, tornando o momento mágico e significativo.Era a vida brotando em suas terras .Era a semente de uma existencia que mais tarde seria adormecida pelos traços de uma guerra.

A uva era um cenário que contagiava cada um que passava pela fazenda.
Enquanto Filomena preparava o café, comunicava a noticia de seu primeiro filho. Era 1880, um ano gratificante e mágico para esta família.

Filomena era uma mulher diferente, um pouco misteriosa e também extrovertida.
Vivia sonhos, em um mundo que somente ela poderia entender e sentir...
Gostava de fantasiar, apesar de poucos perceberem essa característica que foi marcante em toda vida dessa mulher.

Ela também era um tanto curiosa , seu sorriso era bellissimo, seus olhos expressivos e profundos. Dava para ler em seus olhos toda sua vida, todas as suas angustias, todas as suas realizações... Todas as suas vontades... Uma tela cheia de imagens do seu próprio destino.

O que era a vida para Filomena? Uma mulher simples, sem muitos estudos... Ela conhecia o mundo pelo que sentia e percebia, não tinha conhecimento dos livros e nem muito da situação de seu País, que mudará sua história para sempre.
Vincenzo Palumbo era mais reservado, de poucas palavras, de poucos sonhos... Acho realmente que nós mulheres idealizamos mais que os Homens.
Era uma pessoa singela, mas de muita educação... Parecia um homem da nobreza... Talvez nem tenha sido tão nobre, mas não conseguia vê-lo de outra maneira... Muito calado e de olhar triste nunca consegui entender meu pai, parecia que ele sabia de tudo ou talvez, por que não tinha conhecimento de nada... Era um tanto estranha minha relação com meu pai.
Demasiadamente machista, um motivo que nós distanciamos por muitos longos anos...
Vincenzo tinha suas particularidades... No campo e na maneira de ver a vida.
Vivia sempre o futuro que nunca existiu. Era um homem singular...

Naquela manhã tudo parecia se cristalizar... A mesa do café já tinha um novo significado, tornará uma nova experiência... O tempo parecia não existir mais e, por algum momento tornou-se eterno...
O café descia diferente, a manteiga chegou a mudar de gosto... Tudo era bem saboreado e digerido. Toda essa confusão sobre a existência da vida e do tempo se dava por conta do nascimento de Celeste ...Era sua chegada ...Mas será que minha vinda pode ter sido uma grande confusão para meus pais ...o que será que teria eu representado na mesa de café ...ou será que eu quisesse que fosse realmente diferente e mágico?

...Nunca entendi muito a vida, talvez ela nunca existisse para ser compreendida... Nunca assimilei e compreendi por que as coisas foram acontecendo da maneira que foi...
Queria ter sido diferente... Talvez a culpa fosse do café da manhã que cristalizou no momento da noticia repentina de minha chegada... Cheguei a mudar varias vezes nessa vida, mas percebi que não só o café da manhã naquele dia se cristalizou... Minha vida foi exatamente como naquela manhã de primavera e o tempo tornou-se perpetuo em diferentes situações que vivi...
Talvez fosse por conta de ter nascido na Calábria e ser exageradamente tudo!...

Logo depois do café, meu pai foi cuidar da lavoura, ele também cuidava de uma pequena Horta para consumo próprio que servia mais como uma espécie de terapia.
Tinha uma mania engraçada de conversar com as galinhas e animais domésticos da fazenda. Dialogava também com um cachorro típico da região do Sul, um Mastino Napolitano cinza, grande e muito carinhoso.
Esse cachorro nunca serviu de guarda, era um tanto medroso, mas meu pai o amava como um membro da família...

Minha mãe mal guardava as coisas do café da manhã e estava prestes a fantasiar agora sobre sua filha Celeste.
Celeste mal nascera, mas já tinha futuro, parte de todas as frustrações de minha mãe. Tudo que ela queria ter podido fazer estava agora predestinado a vida dessa pobre criança que já nascera cheia de obrigações. Não tirava da cabeça o nascimento dessa criança que ainda nem tinha sexo, era só uma sementinha representando a união dos meus pais ou ainda era a testemunha mais fiel dessa união. Nesse momento tornei-me responsável de uma hereditariedade e de muitas outras gerações que estariam por vir...

Primeiro de Fevereiro de 1880
...
Filomena sente dores do parto... Havia uma parteira próxima da Fazenda que morávamos, o que não dificultou a chegada de Celeste...
Cheguei ao mundo às 10 horas da manhã, era inverno e o dia não estava azul.
Quando abri os olhos tudo era cinza e percebi que minha vida não teria muita cores... Tenho até hoje guardado em meu inconsciente o olhar de meus pais... Meu pai Vincenzo como um bom machista esperava um menino... Lembro até hoje seu olhar assustador... Era decepcionante... Minha mãe me olhou com muita apatia e rejeição... Talvez uma depressão que ela desconhecia pós parto.
...
Eu era exatamente a amalgama do sentimento que presenciei no momento que nasci. Teria a partir de hoje de digerir toda a insatisfação, o incomodo de ter vindo ao mundo. Precisava suportar toda a dor da falta de confiança que tinha da minha própria existência... Teria que tomar cuidado de não parecer à somatória de todas as crueldades acometidas num simples e singelo: o olhar da vida. Era um fruto da insatisfação pessoal e social daquela geração pobre do sul da Itália... Era um mártir da Calábria.
...
Não consigo recordar meus primeiros cinco anos de vida, talvez não tenha muito do que se lembrar.
Não sei dizer o que aprendi, como eu era, o que eu sentia, o que eu queria para essa vida. Só lembro-me de meus olhos sempre disperso e sem muito distinguir realidade de minha imaginação... Talvez por isso ,não tenha muito para contar. Nem mesmo me recordo quanto significativo foi esse tempo para mim. O que teria representado... Só me lembro que não fui feliz, já que precisei o tempo todo criar uma realidade para sobreviver.
A mentira e a verdade se emaranhavam ,entrelaçavam ,fundiam se dentro de mim sem mais saber o que era realidade.A imaginação e a fantasia ganhava espaço,fazia a história , eclipsando a verdadeira e real triste vida dessa menina. Ainda questiono qual seria a realidade que eu deveria saborear.Será que a realidade não seria também uma fantasia ,uma ilusão?...
Talvez eu ainda seja essa criança escondida nessa mulher de nome Celeste.
...

O brilho do sol permeava a varanda da casa, tudo estava bem colorido e naquele acontecimento inesperado eu ganhara um irmãozinho.
...
Nesse momento era como se eu desintegrasse no espaço e no tempo
Eu desaparecia. Era invisível diante dos olhos negros de meus pais.
Tornei-me uma criança rebelde para chamar atenção. Tornei-me uma criança agressiva para compensar as muitas faltas. Tornei-me submissa pelo desprezo... Tornei-me a fantasia para suportar a verdade. Tornei-me o exagero para meu coração poder extrapolar. Tornei-me o avesso para desacreditar... Tornei-me o desapego para poder fugir... Tornei-me a criança para sobreviver... Tornei-me o próprio conto de fadas para aprender amar...
Representada pela confusão... Surge a nova Celeste... Entre o antagônico surge o nascimento e a sua "morte brusca”, era agora subjugada pela ação e suprimida pela emoção . Toldavam a sua capacidade. Roubavam sua inocência. Devoravam sua sabedoria .
Abalada sua estrutura emocional ,era preciso uma reconstrução que só a partir de seus 35 anos viria acontecer .Ainda no meio de uma grande tempestade pouco consciênte e fortemente inconciente em seus atos e hábitos ,vivia seu processo de descobrir-se .Tudo era fortemente enraizado na descoberta ...
logo conto mais

segunda-feira, junho 22, 2009

Há vários jeitos de morrer e inúmeros de ressurgir!!!

estou buscando

segunda-feira, junho 15, 2009

terça-feira, junho 09, 2009

presente perpétuo

parece que o tempo parou naquele dia

segunda-feira, junho 08, 2009

As coisas não mudam, nós é que mudamos. O início de um hábito é como um fio invisível, mas cada vez que o repetimos o ato reforça o fio, acrescenta-lhe outro filamento, até que se torna um enorme cabo e nos prende de forma irremediável, no pensamento e ação. (Orison Swett Marden)