domingo, agosto 30, 2009

mito

Quando amanheceu já não era mais primavera
nada permanecia lá.
Quando amanheceu eu pude perceber a doce lembrança
cristalizava a fantasia
nada sobrava
a realidade

a essência de todos os sonhos.
quando amanheceu ...
de todos os sonhos
você foi...
de todas as lembranças
era você ainda que coexistia ...
de todas as passagens
sentia você...
no profundo desejo inconsciente
na imaturidade que através dos poros
aparecia,surpreendia
permeava agora a sombra do impossível
sera o desejo incontrolável
a obsessão do objeto
da pura fantasia?
aprisona , impulsiona
Deja Vu
a experiência
a magia
meu desejo de me conhecer.
agora crio e recrio
no amanhecer ...
e através das palavras
propriamente escritas
elaboro em cantos em contos
no intuito de me
reescrever
se é mito ou não, reescrevo através de mim, e não do outro
mas através das fantasias,
dos lapsos,
das lacunas,
da informação
eu aniquilo o niilismo intrinseco
fecho os olhos e não me vejo mais no outro.
ME ver no outro e admitir uma existência que não é minha ...quando atravesso pelo outro tenho que
admitir meu próprio dom de enfraquecer

Sylvia Palumbo Scrocco